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domingo, 7 de agosto de 2011

INCÊNDIO MORAL - RAP DO PRONTO ATENDIMENTO


De madrugada
Gelada,
No pronto atendimento,
O homem chegou com esperança
De uma criança
O fim de seu sofrimento...
Um atendimento
Bem pronto
Que atende derrepente,
De graça
O pobre indigente
Em sua desgraça!
Sempre viveu na avenida
Da vida,
Com empolgação
Sem ser carnaval...
Mas nessa noite passada
Viveu algo especial!
Sofrendo calado,
De repente, com arte,
Sem porta estandarte
Fez estranha evolução!
Caindo elegante,
Num instante,
Sem gemido,
Doído,
Nem explicação...

Tá lá o corpo estendido no chão!

Não era só morto
Mas um valentão...
Enfrentou bala, bandido,
Berro, briga
E bofetão!

Tá lá o corpo estendido no chão...

Não foi dengue hemorrágica,
AIDS sofrida
Notícia trágica,
Fraqueza na vida
Seu padecimento...

Tá lá o corpo estendido no chão...

Sua amante safada,
“Escrachada”,
O traíra na noite passada...
Muita briga, bebida,
Tapas na vida,
Dor no coração...

Tá lá o corpo estendido no chão...

O amante da amada
Loiro ou moreno
Lhe dera cachaça,
Desgraça
E veneno

Tá lá o corpo estendido no chão...

Tem muita gente
Olhando,
Falando
Muita confusão!

Tá lá o corpo estendido no chão...

Desde a madrugada
Com a boca inchada,
Calada,
Sofria na fila
Seu padecimento!
Já tarde,
Com alarde,
Vem a polícia,
Esperta milícia,
Que grita
“No corpo não rele”!
Põe no rabecão
E leva ao IML

O corpo que estava estendido no chão!!!


Maria de Lourdes França


Imagem disponível em: http://aqueimaroupa.com.br/wp-content/uploads/2010/02/SOS-SA%C3%9ADE-300x175.jpg

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